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quinta-feira, 23 de maio de 2013

PRIMEIRO DIA




Primeiramente quero dizer que me formei faz pouco tempo, meu estágio aconteceu no setor dos benefícios eventuais, e meu primeiro emprego está sendo no CREAS (Centro de Referencia Especializado em Assistência Social). Assim que fui selecionada para atuar no CREAS, a primeira coisa que fiz foi me embasar teoricamente sobre a instituição, como agir, os usuários atendidos, enfim, procurei entrar preparada pelo menos teoricamente de como trabalhar de forma ética para responder as demandas da comunidade.
O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) configura-se como uma unidade pública e estatal, que oferta serviços especializados e continuados a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos (violência física, psicológica, sexual, tráfico de pessoas, cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, etc.) (MDS, 2013).
Quando cheguei à instituição de cara tinha um oficio do conselho tutelar acerca de um abuso sexual cometido contra uma adolescente por seu vizinho, com o agravo desta adolescente sofrer de um transtorno mental. Então juntamente com a psicóloga fomos visitar a família, e lá chegando fomos recebidas pelos pais da adolescente e juntamente pela mesma, eles se sentiam um pouco envergonhados e demoraram um pouco para abordar o assunto.
A mãe da vitima contou toda a historia, a mesma disse que o acusado do abuso era um vizinho da família, e que o mesmo era uma pessoa de confiança e que também tem duas filhas, sendo uma da mesma idade da vitima. A mãe relata que tinha saído de casa juntamente com sua filha para ir ao mercado, e na volta entrou na casa de uma amiga e deixou sua filha ir para casa sozinha, e passado alguns minutos foi para casa e se deparou com o acusado saindo pelas portas do fundo da casa, ela achando estranho perguntou o motivo e o mesmo disse que estava procurando pelo seu marido, porém ao entrar dentro de casa viu a filha em um canto de parede sem falar nada, achando estranho perguntou a filha o que estava acontecendo, porém a menor nada respondia, então decidiu imediatamente leva-la ao hospital e lá chegando a mesma foi encaminhada ao IML e foi constatado o abuso pelo ânus. O acusado está preso, porém a mãe nos conta que o comportamento da filha mudou muito, sendo que ela fica tomando banho direto, chora muito, está muito mais apegada ao pai, diz muitos palavrões e também adquiriu uma “tara”, enfim ela já sofria de um transtorno mental e depois desse abuso até os medicamentos não estão mais servindo para acalmá-la. A mãe se mostrou bastante abalada, chorou bastante e disse não saber o que fazer para que sua filha volte a ser como era antes.
Devido ao fato da criança não ser preparada psicologicamente para o estímulo sexual, e mesmo que não possa saber da conotação ética e moral da atividade sexual, quase invariavelmente acaba desenvolvendo problemas emocionais depois da violência sexual. A criança, mesmo conhecendo e apreciando a pessoa que o abusa, se sente profundamente conflitante entre a lealdade para com essa pessoa e a percepção de que essas atividades sexuais estão sendo terrivelmente más. Ela também pode experimentar profunda sensação de solidão e abandono. Mudanças bruscas no comportamento, apetite ou no sono pode ser um indício de que alguma coisa está acontecendo, principalmente quando estar só ou quando o abusador estiver perto (ONOFRI, 2013).
Depois de escutar, fizemos o cadastro da família para um acompanhamento da equipe do CREAS, e no primeiro momento encaminhamos tanto a menor quanto a mãe para o setor psicológico da instituição.
Constatado a violação de direitos dessa menor, faz-se necessário uma ação de toda equipe do CREAS para buscar resolver essa problemática, e no tocante ao papel do serviço social e dentro de seu contexto social, deve focar no fortalecimento dos recursos para a superação da situação apresentada e fortalecer os vínculos na comunidade, já que a família se mudou por vergonha.

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